MISSAS DE SÉTIMO DIA E TRINTA DIAS

·         O povo de Deus na história contada pela Bíblia tinha o bom costume de reunir três dimensões da vida em suas orações e ações litúrgicas: natureza em geral (Sol, Lua, estrelas, mares, rios, florestas, animais...), a vida humana (dores e alegrias, sonhos e conquistas...) e Deus. A isso podemos chamar de “ciclos”;

 

·         Alguns exemplos: as quatro vigílias noturnas (6 horas, ou 18 h para sermos mais explícitos; 9 h, ou 21 h, meia-noite e 3 h da manhã), a semana (sete dias necessários para que a lua mudasse de fase), o mês (período das quatro luas –o calendário naquela época era lunar e não solar, como o nosso), o ano (influência da Mesopotâmia, cujo sistema numérico não era decimal, mas de seis dígitos). Porém, a cada sete anos celebrava-se o ano sabático e, finalmente, a cada sete anos sabáticos o ano jubilar;

 

·         Cada ciclo possuía seu significado, sua espiritualidade. Ações litúrgicas e pessoais eram previstas. De fato, uma “oração ao ritmo da vida”. Ficava claro dessa forma que, mesmo sendo única, a vida é composta de etapas, fases. Isso deixa tudo mais leve e mais compreensível;

 

·         Hoje na igreja também temos o ano litúrgico com suas etapas, seus ciclos: Natal, Páscoa, Tempo Comum I e II;

 

·         Por sua vez, como já foi tratado em outra homilia catequética (cf. a de número 14), é também dos tempos bíblicos e da própria história da Igreja a oração pelos mortos. Essa, por sua vez, obedece a lógica dos “ciclos”. A final,” Deus não é senhor dos mortos, mas dos vivos”.

 

·         Celebrando as missas de sétimo dia, ou de mês, ou, ainda, de ano, estamos em continuidade com a melhor tradição bíblica e da igreja. O que não pode ocorrer é cair num legalismo, onde sétimo dia se torna uma conta matemática e não um dado da espiritualidade, isto é, se não houver missa na comunidade naquele dia, pode-se adiar por mais um ou dois dias, ou mesmo antecipar. Deus irá acolher nossas preces da mesma forma.